Nunca mais quero ouvir aquela voz dizendo para voltar ao mesmo lugar onde tudo começou. As palavras não me dizem o que devo fazer quando a razão termina, porque antes de acreditar na verdade, foi preciso mentir sobre o que me leva a voçê. As coisas eram bem mais simples quando não havia detalhes a serem esclarecidos, ou melhor, quando não havia motivos a sustentar dúvidas que nunca são memórias de um tempo feliz que passou. Recomeçar é preciso, agora e sempre, apesar das noites sem dormir, à espera do milagre que não está em mim. Da janela, ouço as estrelas de Amsterdã, caminho sobre as pedras em fogo e dirijo meu pensamento ao melhor que pude fazer enquanto anseio pelos anjos do amanhã, sempre fiel às promessas de ontem. Cuido de me proteger do frio, querendo saber quantos minutos me são permitidos até que algo sobrevenha aos sentidos e me faça adormecer sem que a cidade me impeça de soletrar um nome em letras miúdas, com medo de ser reconhecido por tanta fluidez. Não me digam o que já sei, mas preciso saber que horas passa o trem das borboletas, na velocidade que os olhos permitem que eu seja. Outro dia, novo endereço. Coisas que não me competem julgar, até porque sou um estranho nos lugares por onde andei.
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