Por onde seguir, se não há caminhos a percorrer? Vivo em função da espera do que não sei e não imagino a cor dos olhos do medo, perplexo em tuas mãos, por onde os sonhos não acontecem e a vida insiste em me delatar, preso em imagens do que ainda torno possíveis ao meu destino, antes que tudo adormeça em cada nova surpresa. Lá vou eu, de novo, acreditar no perfume das manhãs, sem me dar conta das idas e vindas do sol que já não brilha nas tardes em que fui tão inocente, sem saber o quanto desejei estar presente nos lugares aonde não passei. Talvez esqueça as tempestades, quem sabe inaugure outra ilusão, porque aprendi que não basta ser apenas o mesmo para que tudo se torne tão igual quanto antes. Agora, sou começo e infinito. Meço as palavras com o pulsar das incertezas que mantiveram vivas as alegrias de um mundo que nunca foi tão meu, embora refaça os mesmos gestos que me tornaram um dia mais feliz. Outra vez querer, mergulhar na solidão, apostar no imensurável, refletir sobre a canção que me leva até voçê, antes do frio atroz de maio, quando a dor era apenas uma possibilidade. Não entendo outra razão que não seja o desespero de estar ali, contando os minutos para refazer meus passos, buscar o tempo que me satisfaz na breve lucidez dos pensamentos, sem nada pedir aos instantes que me separam dos campos minados por quem sou ferido na alma, como portas que se derrubam até que sejam esquecidas. No mais, quero voltar e recair sem esperanças, até que o dia aconteça, como se fosse a primeira vez.
Hermano Alk
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Monday, June 28, 2010
Wednesday, June 23, 2010
Artigo do Dia - O Savoy é uma festa
Entro no Savoy como quem alcança o vento antes da curva do tempo. Piso nas estrelas derramadas sobre o piso escorregadio que remetem ao epitáfio do Poeta cravado nos copos de Chopp (são trinta?) cor-de-madrugada que entornamos, eu e minha saudade, goela abaixo. Sou advertido quanto ao modo de usar o vaso sanitário bicolor e recebo as chaves da cidade antes que o Recife desfaça o presumível convite ao entardecer das horas. Um soldado entoa hinos gloriosos à pátria querida, no mesmo instante em que o casal da mesa ao lado discute a relação entre socos e pontapés. Ao garçon, peço uma cartola e a mesma coxinha hollywoodiana que só se come por aqui, para que nada seja alterado na paisagem que carrego vida a fora, como se a cidade emoldurasse minhas lembranças dos parques do Casa Amarela, quando nada era para sempre nas matinês do Rivoli. O Savoy é uma festa: vou dormir pensando que ainda existo enquanto canção e sou arrastado pela manhã que nunca vem.
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