Hermano Alk

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Thursday, July 22, 2010

Artigo do Dia - Considerações tardias sobre o que me leva a voçê (Noites de Amsterdã)

Nunca mais quero ouvir aquela voz dizendo para voltar ao mesmo lugar onde tudo começou. As palavras não me dizem o que devo fazer quando a razão termina, porque antes de acreditar na verdade, foi preciso mentir sobre o que me leva a voçê. As coisas eram bem mais simples quando não havia detalhes a serem esclarecidos, ou melhor, quando não havia motivos a sustentar dúvidas que nunca são memórias de um tempo feliz que passou. Recomeçar é preciso, agora e sempre, apesar das noites sem dormir, à espera do milagre que não está em mim. Da janela, ouço as estrelas de Amsterdã, caminho sobre as pedras em fogo e dirijo meu pensamento ao melhor que pude fazer enquanto anseio pelos anjos do amanhã, sempre fiel às promessas de ontem. Cuido de me proteger do frio, querendo saber quantos minutos me são permitidos até que algo sobrevenha aos sentidos e me faça adormecer sem que a cidade me impeça de soletrar um nome em letras miúdas, com medo de ser reconhecido por tanta fluidez. Não me digam o que já sei, mas preciso saber que horas passa o trem das borboletas, na velocidade que os olhos permitem que eu seja. Outro dia, novo endereço. Coisas que não me competem julgar, até porque sou um estranho nos lugares por onde andei.

Friday, July 16, 2010

Artigo do Dia - Quando dois e dois são cinco

O que passou, passou. Não há como refazer o caminho de volta aos instantes em que tudo poderia ser resumido à perfeição. Sempre que insistimos em lidar com os momentos como se eles pudessem ser eternizados, caímos na armadilha do tempo, protagonizando as mesmas cenas sob um novo cenário. Como não podem ser mensurados pela vertente do acaso, os acontecimentos sugerem novos ângulos de percepção aos que se aprisionam em lembranças inúteis, embora reticentes quando se quer fazer de conta que é feliz. Os números, às vezes, não apresentam resultados exatos, assim como nada é tão fatídico que não mereça uma leitura flexível, para entender o porquê de tantas contradições no vai-e-vem das incertezas no que se refere à felicidade. Queremos isso e não cuidamos daquilo, logo, ou não  utilizamos o verso da moeda, ou, quase sempre, idealizamos imagens distorcidas de uma realidade que não corresponde ao presente, até onde nos conhecemos. É preciso aprender a contar de outra forma: o mundo não precisa de fórmulas para satisfazer a equação dos seus mistérios. Aliás, tudo é perfeitamente explicável desde que não se tenha a pretensão de atribuir erros aos acertos do passado, ou,  melhor dizendo, ao plano de fuga que não rabiscamos na memória, porque não era imprescindível sofrer. Quando dois e dois são cinco, milagres acontecem, as coisas mudam de lugar e regras não costumam ter exceções. 

Tuesday, July 13, 2010

Artigo do dia - À luta, companheiro.

A casa caiu, mas as paredes ficaram. Sou mais forte agora porque sei o bastante para hoje. Quem precisa aprender depressa acorda antes do Sol nascer e procura a estrela que ainda brilha na noite dos desesperados, para de novo acontecer entre as nuvens que já não carregam chuvas de dor, apesar dos sorrisos guardados na pele desde que me vi por inteiro no retrovisor da vida. A chama persiste, o verão está por vir, enquanto os restos da carne desfiada explode nos out-doors coloridos que norteiam meus pensamentos. Agora é esperar o que há de ser. Não temerei diante do fator imponderável nos meus dias, mesmo que nada seja eterno enquanto sopro de esperança. Aliás, nem me lembro o que motivou essas lembranças, se o que era já não pode estar mais comigo. Passa, vento. Quero abrir logo uma janela que refresque a ausência do que nunca tive. Vou olhar as coisas mais de perto, apreciar o óbvio que  alimenta meus dias e negar tudo que sonhei como projeto de inspiração. A História passa a não se repetir como deveria, mas estou certo quanto ao trecho percorrido antes da virtual chegada. As luzes ainda piscam entre os olhos cegos de miragens e as flores crescem à revelia das estações, porquanto sou realidade em decomposição e fragmento do que de melhor poderia ter oferecido aos deuses da manhã.

Friday, July 9, 2010

Artigo do Dia - Tem dia que é assim mesmo...

Ontem eu fugia. Hoje voçê sumiu. Quem sabe um dia a vida nos convide para entender, ou melhor, quando tudo não passar de um equívoco ou lapso de memória, antes que não seja mais possível voltar atrás. Tem dias em que eu sei, noutros nem te reconheço, às vezes não sei dizer, mas nunca  preciso revelar. Portanto, tenho que seguir adiante e nunca ter que pagar o preço dos esquecidos, levando o que posso e deixando o que é preciso por onde passo, à espera de sinal que me leve aos olhos assustados pela noite em que te vi partir. Volta e meia estou aqui, voçê sempre vai estar por perto, farejando meus medos, fazendo de tudo para que nada mude nas entrelinhas dos sonhos que guardei sob a luz da lua azul entrecortada pelos desertos da alma à procura da água milagrosa que me deixa dormir. Sempre foi assim, nada vai mudar, é só uma questão de tempo e necessidade. Um dia, quem sabe, amanhã, talvez... quem se importa em que lugar? Quero o antes que aconteça, mesmo que seja tudo igual. Por isto, é imprescindível jejuar,  insistir, abrir portais, mergulhar na escuridão, sentir o imponderável, custar a crer, se o que vale a pena é traduzir o sentimento que aflora em nossas teias. Agora, durma, tente lembrar quantas vezes sonhamos o mesmo pesadelo que invalida qualquer motivo para não sermos mais . Tem dia que é assim mesmo ... não somos o que pensamos, porque fomos marcados e ponto final.(?)

Thursday, July 1, 2010

Artigo do Dia - Chuva e sol

Chove lá fora. O Sol que brilha em mim insiste em propagar sua luz, lembrando que nada como um dia após o outro. Quando tudo parece nebuloso em nossas vidas, é preciso restaurar o Sol que existe acomodado no lado esquerdo do peito, como uma bomba prestes a explodir, espatifando as dores que desafiam os momentos de escuridão a que somos expostos todos os dias.  Ele pode ser ativado nas mínimas coisas, desde que solicitado adequadamente por atitudes sinceras de mudanças irreversíveis no cotidiano das pessoas, mediante a adoção de gestos simples que fazem toda a diferença no resultado que se deseja atingir, no que diz respeito às cores da estação. Todos os dias, como um ritual pragmático de libertação, insira os benefícios do Sol em sua janela, ao acordar. Lembre-se dos dias felizes que lhe fizeram apostar nos sonhos, tente não estabelecer paralelos de contradição dentro do seu projeto pessoal, adote a postura de quem já viveu o bastante para acreditar na possibilidade de ser feliz, mesmo que a chuva pareça crescer o bastante para ofuscar suas promessas de reversão de valores. Endenda a chuva como um processo de renovação dos sentimentos, uma pausa na dores, uma certeza de que sua voz não calou o bastante para desistir da luta. A chuva rega as flores que enfeitam os caminhos por onde voçê passa todos os dias, sem perceber que tudo está ali, basta tocá-las. O Sol há de vir sobre a chuva porque a vida é feita de luz.